Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Os avós são um espetáculo...

No dia 31.12.2006 quando brincávamos enquanto esperávamos que a mãe visse a tua bisavó, "aquela que vive numa casa só com velhotes e cheira mal" - descrição feita por ti do lar onde vive uma das bisavós maternas - decidiste apanhar pedras do chão e manifestar que as desejavas levar para casa.
Disse-te que não.
Disseste logo que: "a mãe uma vez deixou-me levar pedras. Mas, depois as pedras partiram-se".
"OK, se a mãe deixa então depois levas com ela, porque o pai acha que levar pedras para casa não se faz" - rispostei eu.
Vendo o teu descontentamento manifestei, "E se fizessemos aqui um monte com as pedras que queres levar? Depois quando um dia viesses com a mãe já sabias onde estavam..."
"E se alguém as roubar?" - perguntaste tu.
"Ninguém quer pedras para levar para casa filho!" - respondi, esquecendo-me da lógica banal de que se tu as queres levar logo entendes que qualquer pessoa o pode querer fazer.
Ainda que descontante lá acordaste fazer um montinho de pedras e enquanto o fazíamos chegou a mãe com o Avô materno.
Dirigiste-te à mãe dizendo que querias levar as pedras, mas eu não deixava. A mãe disse que concordava. E tu logo fizeste questão de a lembrar que da outra vez tinha levado pedras para casa...
Perante a tua tristeza o Avô disse "Deixa estar que o Avô leva as pedras", e agarrou-as nas mãos para as levar.
O teu sorriso abriu-se e os teus olhos brilharam...
Quando me despedi do teu avô ele disse-me "E agora tenho mesmo de as levar porque quando ele lá for vai pedi-las de certeza."
Quando íamos embora devagar no carro a mãe disse "os avós são um espetáculo..." ao que acrescentaste,
"É verdade até levam pedras para casa".

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

"Parvalhono"

Agora repetes esta palavra sempre que queres ofender algum boneco nas tuas/nossas brincadeiras ou quando vês algo que te leve a pensar que a coisa não é boa, é tola...
"Parvalhão" disse-te uma vez na minha inocência de que ao menos que o digas correctamente, mas depois pensei, ao menos o "parvalhono" é teu, ou não, e sempre me rio por dentro...sim apenas por dentro que por fora fico impávido e sereno sem esboçar sorriso.
Aliás, quando dizes "parvalhono" logo rasgas um riso mais ou menos forçado, conforme a situação, numa de "eu tenho muita piada", mas para não te incentivar o comportamento faço que não te oiço.
Pergunto-me qual será a próxima...
Entretanto lembrei-me de quando ouviamos Gabriel, O PENSADOR, rapper brasileiro, e ouviamos a música "fdp".
Chamavas à música, a "música do pula, pula"...mais tarde, passaste a usar o "puta" enquanto cantavas, mas felizmente deixaste de ouvir essa música...
Já me estava a imaginar a explicar às pessoas que poderias estar inocentemente a cantar e não a querer ofender quem quer que fosse... e a ter de justificar a minha "educação" ;-)

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Ontem, hoje e amanhã...

Ontem fomos jantar aos avós como se ainda existisse relação entre mim e a mãe, custa-me mentir-te todos os dias, mas ainda não acertámos agulhas sobre o momento e a forma de te informar que os pais vão viver separados.
Ontem depois de jantar fomos os dois para casa e fizemos a rotina do dormir sós, a mãe tivera de ir ao trabalho buscar algo que se esquecera, e tudo correu bem, quando acabei a história que escolheste...chegou a mãe e então pediste para que ela te acompanhasse na subida ao mundo dos sonhos.
Hoje, vou sair mais cedo do trabalho e vamos ao cinema desfrutar de um filme a dois, coisa que ainda não fizemos...realçar e lembrar com orgulho o facto de, desde os dois anos, veres filmes nos cinemas melhor que muitos adolescentes que não páram de tagarelar.
Hoje vamos jantar aos outros avós, bom porque não tenho de fazer jantar, mas lá vou fazer papel de casal outra vez...curioso que a este respeito não me custa nada porque no fundo filho há muito que os teus pais estão interiormente divorciados, agora só falta o exterior...
Amanhã e no fim de semana não sei qual vai ser a nossa sorte, se vou estar contigo ou não! Espero que sim...

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Prelúdio...

...foi o que foi este fds.

Depois de ter manifestado à mãe o meu desejo de terminar relação, de ter arranjado uma casa, adquirido uns móveis e preparar o mínimo indespensável, começo a sentir falta de ti.
Acresce que este fds passaste-o sem mim e eu sem ti.
A mãe pediu para que eu saísse para pensar e se estruturar para o que aí vem...
Saí e hoje quando me viste de manhã choraste que não me querias, querias a mãe, empurraste-me com os pés...e se é certo que racionalmente penso que já o fizeste noutras ocasiões, emocionalmente foi difícil ser recebido assim... recusavas a proximidade e o contacto, mas também é verdade que depois regressaste ao normal, a intervenção da mãe tb ajudou, e depois tudo foi fácil e normal.
Anormal é este sentimento de que falhei ao não te dar uma família tradicional...
Anormal é sentir-me a pensar se não poderia dar certo... quando em treze anos de relação com a tua mãe raras foram as ocasiões em que tivémos vários meses bem.
Receio as consequências que poderá ter a nossa separação para a tua pessoa, espero que aquelas que apareçam sejam rapidamente ultrapassadas e que sintas que independentemente da nossa separação ela não é por tua responsabilidade e que temos ambos imenso amor por ti...
Acresce que o amor que se tem pelos filhos não é igual ao que se tem pelo namorado(a), este é dependente do dia-a-dia, aquele é eterno e incondicional.
E isso é a única certeza que tenho hoje, que AMO-TE INCONDICIONALMENTE.

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Preocupações...

A) A mãe dorme contigo a noite toda há algumas noites.
Acho que é de bom senso que isto não aconteça quando a criança tem dois anos quanto mais quando tem quase quatro, enfim, o problema é que pensa nela e não em ti.
B) A mãe que assumiu que era bom não perturbar as tuas idas para o colégio a tempo e horas, amanhã já disse que só te iria pôr no colégio à hora de almoço.
Já vi este filme muitas vezes e se antes me irritava porque o tempo que ela tinha para ela ou mesmo para nós, casal, o usava para estar contigo, sempre. Motivava que entre coisas todos os teus colegas tivessem trabalhos afixados e tu fizeste prái 1/6 dos trabalhos. Agora irrita-me que ela te retire da rotina e possa acontecer o que muitas vezes acontecia antes e já expus, acrescendo àquelas que o ficar no colégio comece a ser um problema.
C) A mãe se sirva de ti como suporte emocional e isso te possa condicionar no futuro.
Digo-o eu que tive uma mãe que me "usou" como seu suporte emocional durante variados anos e só eu sei o quanto isso é mau para o filho, senti-o na pele.
D) Que a razoabilidade e racionalidade da mãe desapareçam quando nos separarmos.
Os sinais que vão aparecendo não são animadores...

Ontem...

...mostraste-me orgulhoso que sabias fechar o fecho de correr do teu casaco.
Depois de terminares a demonstração, feita na casa dos avós maternos, disseste, "E agora vou mostrar a quem? Vocês já viram todos."
:-)
Chegaste a casa e fizeste questão de te despir sozinho... e tiraste o casaco, os sapatos, as meias, as calças, a t-shirt, as cuecas e descobriste o gorro do pai natal... e tirei-te duas fotos que espero estejam boas (foi com a máquina de rolo q a digital está sem bateria) nú com o gorro na tola. :-))
Depois quiseste que fizesse de pai natal e lá andei de gorro na tola a fazer "ó, ó, ó".
Perguntei onde tinhamos a chaminé para eu me ir embora... aliás essa foi a tua preocupação há dias, não temos chaminé...que eu resolvi dizendo "temos sim, a chaminé é pequena mas temos, é a chaminé do esquentador...", e então lá me foste apontar a zona do esquentador para eu ir apanhar as renas.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Natal

Estás ansioso que chegue o dia de Natal.
Eu estou ansioso porque ele passe.
O Natal faz lembrar a família e eu estou prestes a destruir essa realidade que conheces.
Penso e repenso e por mais que saiba ser a medida correcta... sinto-me como um mártir revolucionário que sabe, quando é encaminhado para a morte, que a sua morte é um mal necessário para que coisas melhores nasçam...
Como gostava de conseguir que fosse de forma diferente. Isto custa-me também...
De cada vez que imagino deixar de te ter todos os dias ao pé de mim... lá estou eu outra vez na posição de egoísta sabendo que mantenho a relação por mim e não por ti...
Estou ainda com a tua mãe porque a dor de saber que saindo eu não farei parte do teu dia a dia me é penoso... deveras.
Este fim de semana fui cuidar de verificar a casa para onde penso ir quando sair...fui imaginar onde poderei colocar a tua cama, onde poderemos brincar, onde fazer as refeições... enfim fui ver o sítio que me albergará nos primeiros tempos dessa caminhada turtuosa, dessa passagem no deserto.
Só espero que algures surja um verdadeiro oásis e não uma mera miragem dele... e espero sinceramente que esse oásis seja continuar a ver-te feliz e de bem com a vida, sabendo que apesar de separados ambos os teus progenitores te amam incondicionalmente.

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Passado...

No passado (17.12.2003) escrevi isto, hoje faz outra vez sentido...


Pergunto-me,
Daqui a uns anos onde estarás?
Será que compreenderás?
Aceitarás a minha partida?
Ou terás no coração vasta ferida?

Sei,
Que serás sempre amado.
Que pela mãe e pai serás acarinhado.
Que em ambos terás guarida,
Mesmo que tenhas a alma ferida.

Espero,
Que cresças ciente do quanto te amo.
Que vejas no pai um mano.
Que ao meu lado corras a vida.
Que um dia te veja sem ferida.

Aperto no coração

O que senti ontem ao acordar e que persiste até hoje.
É o aperto de quem sabe estar para breve a decisão de deixar o teu dia-a-dia.
Agora cada festa faço-a como se fosse a última, de cada vez que te agarro é como se fosse a última!
Exagero?!? Eu sei, mas é o que sinto...
De cada vez que te vejo sorrir, penso se irás deixar de sorrir.
De cada vez que te vejo confiante e feliz, penso se irei destronar isso.
A dor é imensa, mas estou cansado da hipocrisia, estou cansado da mentira, admito que apesar de me ter tentado reinventar diversas vezes de forma diferente falhei ao não conseguir despertar amor/paixão na tua mãe.
Estamos divorciados há tempo demais.
E embora tu mereças todos os esforços para te permitir ser feliz, não creio que o facto de teres dois pais que apenas estão juntos por tua causa, também seja um bom exemplo.
Ai que aperto.
Será que faço bem em sair?
Será que terei forças para sair?
E depois, terei forças para continuar sem ti todos os dias?
Uma única coisa me sobra neste momento, o imenso amor que por ti tenho.
Tudo farei para que saibas, e sobretudo sintas, o quanto te amo.

Será que me perdoarás?
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